Memória de Alfama
Desde a nossa fundação em 2009 que fomos observando um esvaziamento e perda de identidade culturais sobre os quais quisemos refletir, tomando como um dos maiores desígnios da Associação Cinalfama a preservação e reconstrução da memória de Alfama.
Numa primeira fase, procedeu-se à digitalização de acervos fotográficos e documentais de vários clubes recreativos do bairro, garantindo assim a manutenção e preservação destes registos.
Em andamento está uma campanha de recolha de fotografias e vídeos antigos de Alfama junto da população do bairro e de Lisboa. Fundamentais para esta tarefa são vários parceiros locais como a Associação da População e Património de Alfama (APPA) e a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior bem como a Câmara Municipal de Lisboa e outros organismos.
Este projeto de recolha filmada de histórias e oralidades de Alfama reúne testemunhos e memórias dos habitantes do bairro, procurando indagar e problematizar, de um ponto de vista cinematográfico, as narrativas que o atravessam, para lá das simplificações frequentemente associadas à indústria turística e aos processos de gentrificação.
Vários dos realizadores que integram a equipa da Cinalfama, entre os quais Leonor Teles ou Pedro Cabeleira, participam neste projecto, contribuindo para a construção de um arquivo vivo de memórias e experiências alfamenses.
Os primeiros fragmentos desta recolha foram apresentados no Lisbon International Film Festival de 2024. Desde então, o projeto tem continuado a desenvolver-se, sendo apresentados novos filmes e fragmentos a cada edição.
É na recolha destes conteúdos e na celebração de protocolos estruturantes com o Arquivo Municipal e o Arquivo Nacional das Imagens em Movimento da Cinemateca que se abre caminho a um dos mais ambiciosos projetos do Cinalfama: produzir filmes convocando realizadores a refletir cinematograficamente sobre o bairro de Alfama mobilizando o manancial audiovisual construído pela Associação.


































